Get Adobe Flash player
Quarta, 29 Maio 2019 18:28

Em nome do mundo rural, Parlamento volta a recusar fim da caça com matilhas

Bloco e PAN insistem em acabar com o uso de matilhas, mas pela terceira vez a proposta vai chumbar. Todos os outros partidos respondem que a caça é estruturante para o mundo rural.

 
 

À terceira não vai ser de vez. Bloco e PAN vão ficar de novo sozinhos a defender o fim das matilhas tanto esta quarta-feira, na discussão no plenário, como na sexta-feira, na votação. PSD, PS, CDS, PCP e PEV vão todos votar contra, tal como fizeram em 2017 e 2018, quando os dois partidos fizeram iguais propostas, primeiro em conjunto, depois em separado. A argumentação principal é transversal: limitar a caça é um ataque ao mundo rural e ao interior.

Nos seus projectos de lei, Bloco e PAN estipulam que passa a ser proibido caçar com recurso a matilhas. Mas permitem que as actuais possam manter a sua actividade sem, no entanto, poder haver licenciamento de novas nem adicionar cães às já existentes, incluindo as crias de fêmeas reprodutoras da matilha. A bloquista Maria Manuel Rola explicou ao PÚBLICO que a ideia é ter um período transitório para que as matilhas possam ir envelhecendo e os caçadores não recorram ao abandono (ou abate) de animais.

De acordo com o ICNF – Instituto de Conservação da Natureza, há actualmente 512 matilhas registadas em Portugal – quase metade no Alentejo, um quarto no Norte. É obrigatório o registo de cães que integram matilhas de caça maior, também chamada de “caça a corricão”, em que podem ser usados até 50 cães em simultâneo. A sua função é “levantar a caça”, fazendo-a sair do esconderijo. Mas o PAN e o BE dizem que muitas vezes há luta entre os cães e as raposas, javalis ou veados, o que os leva a argumentar que os caçadores estão a promover a luta entre animais, proibida por lei desde 2009.

 
(Maria Lopese Luciano Alvarez29 de Maio de 2019, 7:04 (Público)
Modificado em Quarta, 29 Maio 2019 18:31